Por dentro do Museu Imperial

Profissionais de todo o país debatem acervos patrimoniais em seminário no Museu Imperial*



Digitalizar para preservar e difundir. Esse foi o grande ponto em comum entre as palestras e apresentações de trabalhos ao longo dos três dias doSeminário Nacional de Digitalização, Preservação e Difusão de Acervos Patrimoniais. O evento, organizado pelo Museu Imperial entre 19 e 21 de outubro, contou com pesquisadores e especialistas de diversas instituições públicas e privadas de todo o país.

A ideia do Seminário surgiu a partir da própria experiência do Museu Imperial, que, desde 2009, desenvolve o Projeto de DAMI – Digitalização do Acervo do Museu Imperial. Através do projeto, já foram disponibilizadas oito coleções no portal do Museu, e o objetivo é concluir a digitalização dos cerca de 360 mil itens museológicos, bibliográficos e arquivísticos do acervo do Museu.

No evento, foram reunidos profissionais de instituições que possuem projetos semelhantes e realizam, cada uma com suas especificidades e métodos, processos de digitalização de seus acervos. Conforme explicou o coordenador geral do Projeto DAMI, Sérgio Abrahão, “a proposta do Seminário é possibilitar a troca de experiências”.

Segundo os participantes, a digitalização de documentos, fotografias, objetos e outros itens contribui não somente para a democratização do acervo, uma vez que permite o acesso de qualquer lugar do mundo, mas também para a sua preservação, por evitar o manuseio dos originais, muitas vezes frágeis ou em estado de conservação não ideal. Assim, a digitalização permite atender às principais atribuições dos museus: pesquisar, preservar e difundir o acervo.

Os palestrantes do Seminário também destacaram a necessidade de um planejamento antes da digitalização. “Não é só pegar um documento e digitalizá-lo. Há uma série de procedimentos a serem realizados. É preciso pensar em questões como: por que digitalizar? Quando digitalizar? Há um plano de preservação dos materiais originais? Há um plano de preservação dos arquivos digitais gerados? Há um plano educativo, de marketing e de difusão?”, observou o coordenador de Preservação da Cinemateca Brasileira (SP), professor Millard Schisler.

No caso de instituições com acervo variado – como é o caso do Museu Imperial, com itens museológicos, arquivísticos e bibliográficos –, esse planejamento deve passar ainda por ações de integração. “Nós sempre tivemos a preocupação de fazer com que esses acervos dialogassem, pensando em campos que pudessem ser comuns às três áreas. Para isso, foram necessárias reuniões com a equipe e que cada setor cedesse em algumas partes, de forma a criar um sistema integrado”, declarou a profª. drª. Monique Gonçalves, organizadora do Seminário e ex-coordenadora técnica do Projeto DAMI.

Outro ponto importante, segundo os profissionais, é conservar o acervo. “O objetivo da digitalização não é substituir o item original, até porque um documento ou um livro irá durar mais do que seu representante digital”, lembrou o técnico em imagens do Projeto DAMI, George Milek. Já o coordenador de Preservação do Acervo do Arquivo Nacional, Mauro Domingues, ressaltou que “não é possível digitalizar um arquivo sem que ele esteja organizado e conservado”.

Além disso, como chamou a atenção o engenheiro químico do Arquivo Nacional, professor Antonio Gonçalves da Silva, um documento em estado de conservação ruim não gerará uma imagem digital legível. “Muitos acervos brasileiros ficaram anos sem preservação adequada e hoje estão deteriorados, sem condições de gerar imagens de qualidade”, afirmou.

Além da preservação, os palestrantes destacaram a importância do tratamento técnico dos itens a serem digitalizados. Segundo eles, não basta disponibilizar uma imagem avulsa, sem seus dados técnicos (os chamados metadados), imprescindíveis para os pesquisadores. É o caso do projeto da Cinemateca Brasileira, que digitalizou a Coleção Fernando Duarte e disponibilizou todas as fotografias na internet com seus metadados. “Quando o usuário baixa uma imagem do nosso site, todas as informações sobre ela acompanham o arquivo”, explicou a técnica Karina Seino.

Procedimento parecido é adotado no Museu Imperial. O atual coordenador do Projeto DAMI, Plácido Rios Moreira Júnior, informou que o processo de digitalização começa com o estudo sobre a peça no setor de guarda e passa pela elaboração dos metadados a serem disponibilizados junto com a imagem digital.

Outra questão levantada foram as políticas públicas para digitalização de acervos. Para o diretor da Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin – Brasiliana USP, prof. dr. Pedro Puntoni, é preciso uma mudança de mentalidade da própria sociedade. “Se não há mais investimento na preservação dos acervos, é porque a sociedade não cobra dos gestores, como cobra outras questões. Não adianta ficarmos dizendo apenas que os gestores públicos não se interessam; é preciso que a própria sociedade valorize mais o nosso patrimônio cultural”.

Sobre esse assunto, a coordenadora geral de Sistemas de Informação Museal do Ibram/MinC, Rose Moreira de Miranda, destacou que o Instituto Brasileiro de Museus vem investindo na digitalização dos acervos dos museus, incluindo seus arquivos e bibliotecas, de forma que haja sistemas integrados de pesquisa para usuários do Brasil e de outros países. “A própria Política Nacional de Museus tem em seu texto o eixo 4, que é Informatização de Museu. E, nesse eixo, estão questões como apoio a projetos que visam a disponibilizar informações sobre acervos, pesquisas e programações dos museus em mídias eletrônicas e estímulo a projetos de informatização”, lembrou.

Ao final do terceiro dia do evento, após as palestras e debates, os participantes tiveram a oportunidade de realizar uma visita guiada pelo Museu Imperial e de assistir aos espetáculosUm Sarau Imperial e Som e Luz. Todo o material do Seminário, incluindo as palestras e apresentações dos participantes e a filmagem do evento, estará disponível em breve no portal do Museu Imperial, na página do Projeto DAMI.

*Texto  e foto: Assessoria de Imprensa do Museu Imperial
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