Programação/ Música


Roberto Corrêa lança “Viola de Arame” nesta terça, 05, na Arlequim*

Violeiro apresenta seu 19º trabalho na viola caipira interpretando composições feitas especialmente para o instrumento

Foto de Ricardo Labastier

 *Texto: Assessoria de Imprensa

Compositor, pesquisador, professor, instrumentista, o violeiro Roberto Corrêa lança o seu novo CD “Viola de Arame – Composições Brasileiras”, seu 19° trabalho, nesta terça-feira, 05, às 18h, na Arlequim, no Paço Imperial.  No evento, o compositor vai apresentar algumas das onze faixas instrumentais do novo trabalho, interpretando somente obras de outros compositores: Ascendino Theodoro Nogueira que, na década de 1960, de forma pioneira, compôs sete prelúdios para a “viola brasileira” solo; o maestro Jorge Antunes e os violonistas Marco Pereira, Eustaquio Grilo e Mauricio Carrilho. As releituras que fazem parte do repertório apresentam os atributos de intérprete de Corrêa, que procurou resgatar o projeto do começo de sua carreira, quando idealizava ser um solista de viola, nos moldes dos violonistas clássicos.

Roberto Corrêanascido em Campina Verde, Minas Gerais, é um artista com uma trajetória particular na música brasileira. Com 19 discos lançados solo e em parcerias, livros e vídeos sobre a viola e a cultura popular brasileira, ele transita entre funções distintas como do instrumentista virtuose, compositor, professor (leciona na Escola de Música de Brasília), e pesquisador. Atualmente, finaliza seu doutorado pela USP (Universidade de São Paulo), com a tese Os caminhos da viola de cinco ordens no Brasil – das práticas populares à escritura da arte. É autor de uma das principais publicações sobre a viola, A arte de pontear viola, e gravou além de trabalhos solo, CD´s ao lado de orquestras e músicos como Inezita Barroso, Paulo Freire, Siba, entre outros. Também é um dos curadores do Voa Viola, projeto de mapeamento do instrumento no país, que está em sua segunda edição.


O CD “Viola de Arame – Composições Brasileiras”

Algumas das peças do disco começaram a nascer a partir de conversas entre o violeiro e os compositores na década de 1980, quando a viola solista era uma idéia em construção e, sem dúvida, representava também a possibilidade de experimentar novos caminhos para o instrumento e para a composição brasileira. “Este álbum é a concretização de um sonho antigo de ser um intérprete de músicas escritas para a viola solista”, arremata Corrêa.

O CD traz textos dos compositores sobre as suas obras, o que ajuda a contextualizar o momento histórico, as motivações e inspirações dos autores. No encarte do disco, os compositores Eustaquio Grilo, Marco Pereira, Mauricio Carrilho e Jorge Antunes descrevem como foi o processo de composição das peças. A obra de Ascendino Theodoro Nogueira é apresentada por textos do violonista Carlos Barbosa-Lima e do produtor musical Biaggio Baccarin, responsáveis pela gravação da obra de Theodoro Nogueira nos anos 1960 pela gravadora Chantecler.

O relato de Baccarin conta sobre os desafios do pioneirismo de, naquela época, fazer a inserção da viola na música erudita. Ele conta que: “aconteceu um acidente de percurso, tendo em vista que até então a viola não tinha intimidade com a música erudita. Era arriscado lançar o disco, long-play, com o título de viola caipira, porque poderia não ser bem recebido pela crítica e pelos apreciadores do gênero clássico. Sugeri, então, denominar o instrumento de viola brasileira. Nogueira aceitou de pronto. Na contra capa assinada pelo saudoso professor Rossini Tavares de Lima, ele iniciou o texto com as duas palavras – Viola Brasileira ou Caipira.”

O tema de abertura do disco, Forrozal, de Marco Pereira, é um baião inspirado nos cantadores nordestinos, e foi publicado na primeira edição do método de aprendizado da viola desenvolvido por Corrêa, como explica Pereira: “Quando Roberto me falou de seu método, percebi que aquela viola que havia comprado tempos atrás tinha uma total razão de existir: servir de base para que fosse criada uma peça original que seria incluída no método que ele estava elaborando”, destaca o compositor.

O mineiro Eustaquio Grilo conta que Rapsódia Caipira foi composta a partir de cinco elementos: uma toada ponteada, um aboio, um pequeno motivo rasgueado, um lundu e um final dodecafônico (série escolhida livremente a partir de 12 semitons da escala cromática). Duas partes destes elementos – o aboio e o lundu – foram compostas para o compositor se comunicar com seu primeiro filho quando ele era um bebê. “Um psicólogo me contou que, para as crianças muito novas, sair de perto deles, era como parar de existir. Então compus esta peça para que meu filho pudesse sentir minha presença, mesmo quando estivesse longe”, afirma Grilo.

Dedicada a Roberto Corrêa, Juriti Azul, escrita por Mauricio Carrilho, representa o universo da viola que o compositor conheceu no convívio com os violeiros João Lyra e Adelmo Arcoverde. “A belíssima interpretação de Roberto valorizou muito a composição feita em 1985, quando eu estava começando a arriscar meus primeiros trabalhos, e me anima a escrever outras peças para este lindo e complexo instrumento”, afirma Carrilho.

Por fim, Jorge Antunes, conta que o Prelúdico em Mi para Viola Caipira, foi uma exploração da série harmônica em mi desenvolvida a partir de novas técnicas de execução não tradicionais para o instrumento.


05/06 – Roberto Corrêa lança Viola de Arame – Composições Brasileiras”, terça, às 18h
Compositor, pesquisador, professor, instrumentista, o violeiro Roberto Corrêa lança o seu novo CD “Viola de Arame – Composições Brasileiras”, interpretando somente obras de outros compositores, como Ascendino Theodoro Nogueira, o maestro Jorge Antunes e os violonistas Marco Pereira, Eustaquio Grilo e Mauricio Carrilho.

Endereço: Praça XV de Novembro, 48, Loja 1 - Centro - Rio de Janeiro - RJ
Telefone.: (21) 2220-8471 (reserva)
Entrada gratuita
Classificação Livre
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