Rio Antigo

TERCEIRA FASE DO RESTAURO E REVITALIZAÇÃO DO COMPLEXO ARQUITETÔNICO DO CONVENTO DE SANTO ANTONIO REVELA NOVAS

DESCOBERTAS*

Coruchéus, óculo, confessionários, pinturas e imagens são algumas das raridades descobertas no local






*Texto e fotos: Divulgação/Assessoria de Imprensa
O complexo do Convento de Santo Antônio, um dos mais importantes exemplares da arquitetura franciscana e barroca do Brasil, situado no centro do Rio de Janeiro, entra em sua terceira fase de restauro com novas descobertas:três raros confessionários, além de outras preciosidades, com os dois coruchéus e o óculo original da fachada - durante o processo de prospecção.

Os três confessionários, que estavam emparedados e muito bem escondidos, são considerados os mais antigos do Brasil e datam da conclusão da igreja em 1628. Somente duas igrejas no Brasil possuem este modelo de confessionários de integridade única: o Convento de Santa Teresa D’Ávila, em Salvador e a Igreja Conventual de Santo Antônio.

A Igreja Conventual de Santo Antônio está ainda em obras, mas será aberta a partir do próximo mês – todas às quartas-feiras - para visitação somente na companhia de um guia.

“O projeto de restauro da Igreja Conventual de Santo Antônio revelou um dado histórico importantíssimo para a arquitetura do nosso país e do monumento em particular”, sublinha o Prof. Olínio Coelho, responsável pelo projeto de restauração arquitetônica. “A partir de agora, o frontão volta à originalidade da arquitetura franciscana do período colonial brasileiro, com o resgate dos dois coruchéus originais, a abertura do óculo, o rebaixamento das três janelas do coro, com reposição de suas folhas de guilhotinas, e a reconstituição do frontão de forma triangular original”, orgulha-se.

Outras descobertas:

Ainda nesta terceira fase, outras raridades – só existentes no Convento - foram reveladas à medida que as obras iam avançando. Dentro do acervo artístico do monumento, encontram-se peças em terracota que se confundem com madeira do século XVII e XVIII e bustos relicários.

Obras recentes (incluindo teto e restauro das Capelas):

Com o objetivo de resgatar as características originais destruídas pelas intervenções do século passado, o telhado da Igreja será rebaixado em cerca de um metro e suas atuais telhas francesas - colocadas de maneira desastrosa e malfadada, serão substituídas por telhas coloniais.

A Igreja Conventual de Santo Antônio possui cinco belas capelas do período barroco, que tiveram agora sua restauração concluída. Nessas capelas, Capela Nossa Senhora das Dores, Capela São Joaquim, Capela de Nª Sª da Conceição, Capelas do Nascimento e da Morte de São Francisco, que oferecem detalhes preciosos, durante os serviços de restauro foram revelados os marmorizados de época, douramentos e pinturas artísticas que se encontravam escondidos por repinturas.

A Capela Nossa Senhora das Dores chama atenção devido às sete lindas pinturas no retábulo, representando as sete dores de Maria Santíssima, formando uma interessante grinalda em torno da imagem. A Capela de São Joaquim tem sua talha dourada e a mesa do altar com florões de uma riqueza impressionante. As capelas mais singelas são, pela própria história do Santo, a do Nascimento e da Morte de São Francisco, mas que exibem conjuntos escultóricos em terracota vindos de Portugal em 1786. Vale a pena também uma visita a Capela de Nª Sª da Consolação que apresenta marmorizados e douramentos servindo de cenário para a linda imagem da Santa.

Terceira Fase, dois anos de duração:

O processo desta nova fase de restauro vai durar aproximadamente dois anos e está sendo feito pelo Centro de Projetos Culturais – CEPAC, criada exclusivamente para a realização do projeto (iniciado oficialmente em 26 de Junho de 2007), em parceria com o Instituto do Patrimônio Histórico Cultural – IPHAN. O projeto tem patrocínio da VALE, do BNDES, da Petrobras, Grupo Multiplan, Icatu Holding e ABC/África Publicidade. 

Nesses dois anos, estão na lista de restaurações: a nave da Igreja, o claustro, as celas e as capelas. Para recuperar os espaços, estão empregados mais de 30 especialistas entre arquitetos, engenheiros, museólogos e restauradores. Entre eles, destacam-se o cooodenador dos projetos de restauração do CEPAC, arquiteto Olinio Coelho, e responsável pelo restauro artístico, Rejane Oliveira dos Santos.

As diferentes fases:

Nas primeira e segunda fases, foram feitas prospecções arquitetônicas e arqueológicas, pesquisas históricas e iconográficas, todos os projetos executivos e a restauração dos telhados, resgatando-se as suas telhas coloniais típicas da arquitetura colonial brasileira, que foram substituídas no início do século XX pelas telhas francesas.

"Portanto, o que se pensou e se orçou, para uma simples obra de conservação com reparação de argamassas, pinturas, limpeza dos elementos artísticos e serviços de infraestrutura com a execução dos projetos complementares de hidráulica, elétrica, hidro-sanitária e incêndio, transformou-se em uma abrangente obra de restauração artística e arquitetônica propriamente dita", ressalta Ana Lúcia Pimentel, coordenadora geral do Projeto.

Na quarta fase do projeto, será a vez do cemitério, jardim e as lojinhas.

Mais de 400 anos de história:

Em 2008, o convento celebrou 400 anos do lançamento da pedra fundamental, feito no dia 4 de junho de 1608.Em seus quatro séculos de existência, o Convento de Santo Antônio foi palco de inúmeros acontecimentos marcantes. Frei Vicente de Salvador escreveu no século XVII História do Brasil, o primeiro livro sobre o tema feito por um brasileiro, e o recém-canonizado Frei Galvão ordenou-se padre, em 1762. Também abrigou acontecimentos políticos, tendo sido chamado de "útero da independência" por ter participado ativamente do processo de libertação do Brasil de Portugal. Lá foi redigido pelo Frei Francisco Sampaio o Manifesto do Fico, lido por dom Pedro I no Paço Imperial em janeiro de 1822, e no ano seguinte, o esboço da primeira Constituição do Brasil Império.

O complexo foi fundado e é mantido até hoje pela Ordem dos Frades Menores - OFM. Situa-se na parte remanescente do Morro de Santo Antonio, voltado para o Largo da Carioca, em posição de destaque na área central do Rio de Janeiro. Um dos cartões postais da cidade, é também um dos monumentos mais frequentados devido também, aos inúmeros serviços religiosos prestados pela igreja franciscana.

Ana Lúcia Pimentel lembra que restabelecer a trajetória histórica do Convento Santo Antonio através da execução do projeto de restauro e de sua revitalização é a obrigação e a contribuição que o projeto deixará para o patrimônio histórico, a cidade do Rio de Janeiro e as gerações futuras. "A história do complexo transcendeu as perspectivas de seus elaboradores. Continuou surpreendendo quando mais aprofundadas se tornaram as pesquisas históricas, iconográficas e as prospecções que desvelaram relíquias arquitetônicas e artísticas guardadas por paredes, argamassas e repinturas, resultado de intervenções transcorridas no início do século XX e corroborando os estudos prévios que antecederam ao projeto". Para a historiadora, "cada etapa vencida do projeto é um ensinamento, uma descoberta, e uma possibilidade que se abre, para se oferecer aos segmentos da sociedade, ao patrimônio e a seus proprietários".

Para ela, "este projeto se tornará ímpar na história do patrimônio histórico nacional, pela profundidade de seus estudos e pela qualidade técnica das obras que lhe permitem seguramente uma integridade pelos próximos trinta anos", conclui.
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