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#exposição Retratos íntimos de Fábio Magalhães

A Galeria Laura Marsiaj convida à todos para a abertura da exposição "Retratos Íntimos" de Fábio Magalhães, às 19h, dia 16 de abril (terça-feira).

As obras de Fábio Magalhães surpreendem. São grandes telas, límpidas, em que se vêem vísceras reluzentes. Estas porções de carne (humana?) aparecem ora asseadamente suspensas em sacos ou cordas, ora costuradas ou tensionadas e estendidas em superfícies também assépticas. Não são restos, não estão em ambientes fétidos, não parecem podres ou descartadas. Ao contrário, elas apresentam-se com elegância e altivez, o que colabora para a construção de uma atmosfera austera, quando poderia se esperar um clima mais mórbido dada a natureza das imagens. Todas elas fazem parte da série Retratos Íntimos , que o artista desenvolve desde 2011. De fato, estas telas apresentam um enquadramento que alude ao formato retrato, o que lhes dá humanidade. Além, é claro, de sermos feitos daquela mesma matéria.



Ao articular estes três aspectos – asseio da imagem, enquadramento e retidão – o artista enfrenta o problema da pintura que ele se propôs a realizar: óleo sobre tela em um registro bastante realista de um motivo quase abstrato (carnes e vísceras). Todas estas escolhas nos dizem muito sobre o fazer artístico. Se a opção por trabalhar com pintura a óleo nos indica a habilidade e o deleite que envolvem a realização dessas telas, é preciso refletir sobre o que o enquadramento e o realismo dessas imagens nos trazem. De fato, para chegar a essas imagens o artista cria em seu ateliê, com vísceras de animais, as cenas que vemos, fotografando-as, para finalmente transportá-las para a tela. Nesse processo, o retrato fica mais evidente. Mas também evidencia-se a obstinação de um olhar que busca a precisão, os múltiplos tons de vermelhos, as dobras da carne que se fundem em massa e o volume do ar. Um olho que não cansa de mirar o avesso de sua própria imagem.

Quem lança mão de um suporte tão tradicional está sempre sendo rondado pelo risco de o apuro técnico sobrepujar-se sobre as qualidades subjetivas da pintura. No caso de Fábio, o artista engendra uma experiência sensorial em que técnica e poética são complementares. É impossível não se surpreender com o rigor da pintura, é impossível não reagir com o coração. O nosso olho pulsa diante desse sujeito-carne: dilatação e contração, (sístole e diástole), são os movimentos provocados pela força dessas imagens que nos assaltam.

Gabriela Motta


Abertura :: 16.04 às 19h

Visitação :: 17.04 a 23.05 

ter > sex :: 10h às 19h

sáb :: 11h às 16h 

Rua Teixeira de Melo, 31c - Ipanema
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