O Bailado - Para homenagear os 40 anos da morte de Flávio de Carvalho, 30 artistas dirigem um único vídeo baseado na peça do artista

Ao saber do projeto, Zé Celso Martinez Corrêa topou na hora. Era uma oportunidade de reverO Bailado do Deus Morto, que encenara em 2010, durante a 29a. Bienal de de Arte de São Paulo. Única peça do artista plástico e arquiteto Flávio de Carvalho (1989-1973), escrita em 1933, continua a instigar artistas de todas as áreas. Prova disso é que, ao lado de Zé Celso, outros 30 artistas disseram sim à ousada iniciativa do artista plástico e cineasta Dácio Bicudo. 

O projeto, intitulado OX, tinha o objetivo de fazer um filme dividindo a direção com vários artistas. Depois de pesquisar muito e conversar com artistas e com Katia Canton, que sugerira o texto do Flávio, Dacio optou pelo Bailado do Deus Morto que já conhecia. “Tive a sorte de interpretar a peça no Teatro de Arena em 1971/72 com Flávio já velhinho acompanhando os ensaios”, diz Dácio. 

Para homenagear os 40 anos da morte de Flávio de Carvalho, convidou 30 artistas para dirigir cada um, uma cena de O Bailado, com a visão deles sobre a obra. Entre esses artistas estão Lucas Bombozzi, Edith Derdik, Katia Canton, Felipe Ehrenberg, Claudio Bueno, Bruno Baptistelli, Aguilar, Beth Moysés e, claro, Dácio Bicudo. “Não existe uma direção única: são 30diretores para um só filme. Cada diretor ou artista dirige uma cena diferente”, diz Dácio. O resultado você verá entre os dia 18 a 21 de setembro, na galeria Lourdina Jean Rabieh. Serão várias telas, de tamanhos variados que vão exibir momentos diferentes do filme. 

Na abertura, dia 18, a partir das 19h, também será relançado o livro Fantasias: Flávio de Carvalho, de Katia Canton. O livro, lançado inicialmente em 2004, retrata a série de desenhos de 1953 que Flávio criou para o cenário e os figurinos de um balé que viraram poemas. O balé, intitulado A Cangaceira, foi criado para o Balé do Quarto Centenário, comemorando os 400 anos de São Paulo em 1954. Katia Canton criou poemas em cima dessa obra. O livro, publicado pela WMF Martins Fontes, recebeu prêmios como o Altamente Recomendável da Fundação Nacional do Livro e o PNLD (Programa nacional do Livro) de 2006. 

Depois da exposição na Galeria, O Bailado será exibido em um ônibus, na Praça Buenos Aires e no dia 21 de outubro, na loja Conceito da Saraiva, na Barra, no Rio. 

Sobre O Bailado 

Dácio Bicudo sempre teve vontade de fazer algo mais profundo sobre esse trabalho de Flávio de Carvalho, que conheceu bem nos anos 70. Flávio achava que Deus estava deixando de existir como antes por conta da psicanálise, ou melhor, nós estávamos nos distanciando do que o fazia existir. “Em 2013 não sei se trocamos um Deus por outros numa atitude contemporânea onde tudo pode ser Deus ou se vamos nos ferrar. Mas Flávio vivia num tempo que era fácil descrever o que era Deus. Hoje desconfiamos que Ele se mistura com o diabo e nos aconselha da mesma forma. Um Deus como a arte sempre acreditou possível”, completa Dácio. 

Sobre Flávio de Carvalho 

Flávio de Carvalho (Barra Mansa, RJ, 1899-Valinhos,SP, 1973) é uma figura múltipla, fascinante. Engenheiro-arquiteto foi um dos iniciadores da arquitetura moderna no Brasil e também pintor, escultor, cenógrafo, pensador, escritor. Sua radical modernidade se ligava ao modo como retratava o aspecto psicológico de seus personagens, trabalhando com uma linguagem que fica entre o expressionismo e o surrealismo. Flávio foi autor de obras consideradas chocantes, como uma série de desenhos Minha Mãe Morrendo, que fez retratando os últimos instantes de vida de sua mãe; e experiências de rua, em que ele mesmo saia em busca de reações do público, como quando saiu com um chapéu andando na direção oposta de uma procissão (e quase foi linchado) ou quando, num dia quente de verão, vestiu-se com o “new look”, um conjunto de blusa e saia curta, idealizando um figurino para o homem dos trópicos. O artista também organizou vários momentos da modernidade brasileira e foi o criador do CAM, Clube dos Artistas Modernos, onde muitas inovações tomaram corpo na arte brasileira. (Katia Canton) 

Galeria Lourdina Jean Rabieh 

Há mais de 25 anos no mercado de arte, Lourdina Jean Rabieh dedica-se desde 2010 exclusivamente à arte contemporanea, com o propósito de promover e difundir a obra de artistas nacionais e estrangeiros, emergentes e consagrados. Sua aposta está na combinação de qualidade com propostas arrojadas, que ilustram a diversidade da prática artística contemporânea. Entre os artistas representados estão Angella Conte, Frantz, Andrea Rocco, Rosangela Dorazio, Elizabeth Dorazio, Cris Bierrembach, Valdir Cruz, Katja Loher, Monique Allain e Dacio Bicudo. 


O Bailado 

Abertura: 18 de setembo 2013, das 19h às 22h 

Período expositivo: de 19 de setembro a 21 de setembro de 2013 

Galeria Lourdina Jean Rabieh 

Alameda Gabriel Monteiro da Silva, 147. Tel. (11) 3062-7173. 

Seg. a sex., 10h/19h; Sáb., 10h/16h. www.lourdinajeanrabieh.com.br


Texto e fotos: Assessoria de Imprensa
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