Inaugurada a exposição "Um Canto, Dois Sertões: Bispo de Rosário e os 90 Anos da Colônia Juliano Moreira"

O Museu Bispo do Rosário de Arte Contemporânea, na Colônia Juliano Moreira, inaugura, no dia 28 de março, a exposição Um Canto, Dois Sertões: Bispo de Rosário e os 90 Anos da Colônia Juliano Moreira. Serão 150 peças criadas por Bispo e outras 50 obras de dez artistas convidados. Pela primeira vez, uma exposição de Arthur Bispo do Rosário vai estar contextualizada dentro dos dois universos que influenciaram sua obra: a Colônia Juliano Moreira, em Jacarepaguá, onde viveu por 50 anos, e Japaratuba, em Sergipe, sua cidade natal. “Os dois ‘sertões’ de Bispo do Rosário”, como diz o curador da exposição, Marcelo Campos.


“A exposição parte do desejo de tratar dois lugares distintos que foram centrais para a vida de Bispo do Rosário, Jacarepaguá e Japaratuba. A ampla pesquisa desenvolvida sobre tais lugares tenta apontar características, informações, histórias, dramas e poesias que potencializam a exposição”, explica.

Para entender o universo do artista, uma equipe do Museu viajou em janeiro para Sergipe. Lá encontraram muitos dos elementos que o influenciaram em seus primeiros anos de vida, como as festas de Reis, as Cheganças, os quilombolas. “Com a viagem, tornou-se clara a relação de Bispo com a cultura popular. Os adornos e adereços, como, fitas, espelhos, mantos, uniformes – presentes em sua obra – estão mais do que misturados às atividades folclóricas de Sergipe”, afirma Campos.

A exposição será dividida em três núcleos principais: o nascimentoa colônia, e os mundos inventados por ele. Todos os núcleos serão potencializados a partir de uma seleção de obras, textos e de materiais biográficos. Para o curador do Museu, Ricardo Resende, ela mudará totalmente a maneira de se observar, estudar e contextualizar a obra de Bispo do Rosário na arte contemporânea.

“É a primeira vez que se faz um estudo e uma exposição que contextualiza a obra do Arthur Bispo do Rosário nos seus dois universos constituintes. O ambiente de criação, a Colônia Juliano Moreira, em Jacarepaguá, e Japaratuba, a cidade natal do artista que está guardada na memória da obra que nos foi legada”, destaca.

O projeto Um Canto, Dois Sertões... é parte do processo de refundação do Museu Bispo do Rosário Arte Contemporânea, segundo a diretora do Museu, Raquel Fernandes. “Atualmente, nós trabalhamos com questões básicas sobre a importância do acervo deixado pelo Bispo, o público-alvo, a acessibilidade e um cuidado extremo com as peças. A relevância desse museu traz à tona as articulações que Bispo pode fazer, por meio da arte, com diversos campos do saber, como a saúde mental, a psiquiatria, a antropologia”, explica Raquel.

Um Canto, Dois Sertões: Bispo de Rosário e os 90 Anos da Colônia Juliano Moreira tem patrocínio da Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro e da Secretaria Municipal de Cultura através do Programa de Fomento à Cultura Carioca 2014. A exposição integra a programação de comemorações dos 450 anos da cidade.


A Exposição

Nascimento
O núcleo de entrada será dedicado ao nascimento de Bispo, apresentado pela imagem inédita do livro de batismo conseguido com o Padre Luiz Rodrigues na igreja de Nossa Senhora da Saúde, onde foi batizado. Nesta mesma sala, os brinquedos feitos por Bispo, além de elementos ligados às festividades de Reis, relacionados a uma tradição local chamada Chegança.

Três artistas contemporâneos criarão obras inéditas em homenagem a ele. Uma dupla de músicos, Felipe Julian e Sandra Ximenez, trarão uma peça sonora, mesclando sons de Chegança, vozes do Bispo e a leitura de contos de Guimarães Rosa sobre a loucura. Alan Adi, jovem artista de Aracajú, está recriando uma Chegança. Caio Reisewitz, importante artista paulistano que trabalha com fotografia, vai apresentar um trabalho inédito com imagens do sertão brasileiro, além de fotos feitas quando ele visitou a Colônia Juliano Moreira. Caio dedica o trabalho às crianças e as fotografias serão colocadas na altura dos olhos infantis.

A Colônia
O segundo núcleo inicia com uma seleção de textos e materiais biográficos sobre Bispo do Rosário. Nele, serão apresentadas suas obras que retratam o comércio popular, tão frequentes em Jacarepaguá. Também nesse núcleo estarão imagens, textos e mapas que contam a história da Colônia Juliano Moreira e do bairro de Jacarepaguá.

Neste núcleo estarão obras que tratam da vida nos pavilhões da Colônia, não somente exibindo arquiteturas que Bispo recriou, mas usando a metáfora da repetição (da igualdade), que tanto marca as instituições hospitalares. Em obras de Bispo, vemos uma coleção de elementos iguais: canecas, tênis, borrachas etc.

Os artistas do Coletivo Gráfico vão apresentar a arte sobre os mapas da Colônia e de Jacarepaguá e o artista Lin Lima, conhecido pelos registros que faz do entorno do Museu Bispo do Rosário Arte Contemporânea, vai recriar o ambiente da natureza local com elementos da fauna e flora.

A artista mineira Marta Neves criou uma paisagem que junta Japaratuba e Jacarepaguá, a partir de descrições imaginadas por pessoas que não conhecem os dois lugares.


Mundos inventados
No terceiro núcleo, a exposição é dedicada aos mundos inventados por Bispo do Rosário. O cearense Efrain Almeida criou uma obra a partir da frase de Bispo que diz: “Os doentes mentais são como beija-flores, nunca pousam, ficam a dois metros do chão”. A cama Romeu e Julieta, que Bispo dedicou a uma psicanalista chamada Rosângela, é ladeada por retratos de uma virgem de Taieira, personalidade da cultura popular de Sergipe, registrada pelas lentes de Ivan Masafret. A virgem Barbara funciona como líder espiritual de um grupo de virgens, misturando cultura popular e religiosidade, em um dos folguedos da festa de Reis. “O Bispo tinha uma fixação pelas virgens. Por essa razão, na exposição, nós colocaremos a virgem de Sergipe ao lado da cama do artista”, explica Marcelo. Ao final da exposição, os visitantes se deparam com uma homenagem ao manto de Bispo, cercado por outros mantos da cultura popular nordestina e vindos de Japaratuba.

A Cela de Bispo do Rosário
Sensações da clausura, solidão e sofrimento poderão ser vivenciadas pelos visitantes na cela de Bispo do Rosário recriada metaforicamente pelo artista baiano Willyams Martins. O artista partiu de pesquisa feita sobre as paredes dos antigos pavilhões da Colônia e usou tecidos, como decalques, em que poderão ser vistos vestígios, marcas e escritos que mostram como as pessoas, usuários e visitantes da Colônia se expressam. Como referência, também foram selecionadas algumas obras de Bispo que tratam de modo mais denso da questão do aprisionamento.


Serviço:
Um Canto, Dois Sertões: Bispo de Rosário e os 90 Anos da Colônia Juliano Moreira
De: 28 de março a 3 de outubro de 2015
Horários: de terça a domingo, das 10h às 17h
Endereço: Estrada Rodrigues Caldas, 3400, Colônia Juliano Moreira
Taquara - Jacarepaguá
Informações: (21) 3432-2402
Entrada franca


Fonte:
Trevo – Efervescência Comunicativa




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