Pular para o conteúdo principal

Programação/ Artes Visuais (SP)

(Clique no convite para ler)


Orizzonti Dell’Uomo – Felippe Moraes

Texto da curadora Paula Borghi

Orizzonti Dell’Uomo intitula a exposição individual de Felippe Moraes, que apresenta uma série de trabalhos produzidos nos três últimos anos de pesquisa do artista. A exposição transita por técnicas variadas, tais como serigrafia, instalação, fotografia e desenho, indagando de forma poética questões da metafísica, como a dúvida sobre o horizonte do homem.

Felippe Moraes explora idéias que poderiam muito bem dialogar com a civilização egípcia, com o renascimento e até mesmo com o iluminismo. Pois é na possibilidade de criar o impossível que o artista se inspira; nas pirâmides do Egito, nas criações de Leonardo da Vinci, Michelangelo e Galileo Galilei, entre outros. Trazendo para sua produção o Homem Vitruviano como medida universal e a esfinge como mistério.

Ao mesmo tempo em que o artista busca no passado suas inspiração, é no contemporâneo que seu trabalho emerge. Motivado por pensar arte, ciência e misticismo em uma mesma esfera, Moraes usa signos que tangenciam as diversas áreas, tais como formas geométricas e o ouro.

Seria um devaneio pessoal associar a presença do ouro nas obras de Moraes ao impossível? Arrisco-me a dizer que não, visto que a alquimia – tida como a química da Idade Media e da Renascença – procurava, sobre tudo, descobrir a pedra filosofal, a fim de transformar metais comuns em ouro. Neste sentido, entendo o dourado como um elemento místico e científico, que alcança questões acerca do infactível quando realizado através da arte.

Moraes utiliza o ouro como elemento conector, que é representado através do dourado em quase todas as obras apresentadas. Como é o caso de O Concreto e o Sutil, 2011, uma série de imagens capazes de embair a mente. Tratam-se de quatro serigrafias, que quando vistas de longe mostram apenas um quadrado dourado, enquanto de perto revelam quadrados “presos” por ferramentas. Sendo que o nível, uma das ferramentas, apresenta um índice sutil de estranhamento, quebrando com o equilíbrio do todo.

A presença do quadrado segue em Olho, 2009, por meio de um desenho em negativo; como se a luz dourada que emana iluminasse o quadrado branco desenhado na parede. Fazendo alusão ao desenho de uma janela, porém de uma janela que não mostra nada ao outro, pelo contrario, observa-o.

Se em Olho o trabalho observa o espectador, em À Distância do Horizonte, 2011, ele indaga o posicionamento do homem perante o mundo. Com uma fórmula elaborada junto a um matemático, Moraes responde a cada indivíduo qual seria sua distância em relação ao horizonte, na impossibilidade de alcançar a linha em que a terra e o céu se tocam, visto que a cada passo a distância se mantêm.

A busca pelo infinito permanece em Orizzonti Dell’Uomo, 2011. Trata-se de uma fotografia, que registra uma homenagem concedida ao cientista, matemático e astrônomo, por seu aprimoramento significativo do telescópio. Pois igualmente a Galileo, Felippe Moraes sonha alto, com criações que buscam o eterno, o intangível e tudo aquilo que é inefável.
Destarte, a exposição nos remete ao impossível, mas não seria esta a função social da arte e da ciência; quebrar paradigmas?
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

Postagens mais visitadas deste blog

A origem do Modernismo brasileiro, por chandra santos

"Abaporu": obra deu origem ao Movimento Antropofágico
Imagem: Tarsila do Amaral
As ideias surrealistas vieram para o Brasil na década de 1930 e foram absorvidas pelo movimento Modernista. A pintora Tarsila do Amaral e o escritor Ismael Nery foram os mais influenciados. Além deles, a escultora Maria Martins, o pintor pernambucano Cícero Dias, o poeta Murilo Mendes e os escritores Aníbal Machado e Mário Pedrosa também acrescentaram elementos surreais em suas obras.
A Semana de 22 foi o ápice do movimento Modernista no Brasil. Mário de Andrade, Oswald de Andrade, Víctor Brecheret, Plínio Salgado, Anita Malfatti, Menotti Del Pichia, Guilherme de Almeida, Sérgio Milliet, Heitor Villa-Lobos e Tarsila do Amaral são algumas das personalidades que estiveram presentes no evento ocorrido nos dias 13, 15 e 17 de fevereiro no Teatro Municipal de São Paulo. Considerada um marco na arte brasileira, por propor a ruptura com o passado, a Semana de 22 revolucionou a Literatura, a música, a pin…

"A Aventura Surrealista", por chandra santos

Já está à venda o livro "A Aventura Surrealista" , do ensaísta e artista plástico Sergio Lima. A obra conta a história e a influência do surrealismo na arte moderna brasileira, entre 1901 e 1920.
Quem se interessou pelo tema, pode adquirir a publicação anterior, de 1995, que aborda as vertentes formadoras do movimento surrealista. O artista pretende lançar mais duas obras: uma sobre os anos 1921-30 e outra com antologia do surrealismo no Brasil.

Imagem: Reprodução de Internet




Feliz Dia do Amigo

O Sete Artes deseja a todos um Feliz Dia do Amigo!!!!






 (Clique para ampliar)
Saiba a origem da data aqui.

Siga @chandrasantos no Twitter e retuíte frases de amizade para os seus amigos!
Imagem: Autoria Desconhecida





Curiosidades

O que são Belas Artes?
por chandra santos
Definir arte é uma tarefa complexa, que varia de acordo com as transformações culturais e o contexto histórico. Segundo o filósofo Charles S. Peirce, fundador da Semiótica, a principal função das artes é expressar os estados de consciência humana. Partindo dessa definição, terapeutas e psicólogos passaram a usá-las como parte de tratamentos. A psiquiatra brasileira Nise da Silveira fundou o "Museu de Imagens do Inconsciente" com obras feitas por seus pacientes durante a terapia ocupacional.

São consideradas Belas Artes: Arquitetura; Pintura; Escultura; Música; Literatura; Teatro e Dança; e Cinema. A divisão e o termo foram criados pelas academias de arte europeias, no século XVII, com o objetivo de separar as artes em duas classificações. Segundo artigo publicado na Wikipédia, eram consideradas, até o século XIX, como artes "superiores" as Belas Artes e como artes "inferiores' as Artes Aplicadas.

"As belas arte…

Programação/ Artes Visuais (SP)

Exposição PARAISO na Galeria André

Entre os dias 16/08 e 11/09, a Galeria André recebe a mostra PARAISO, inciando um novo ciclo do centro cultural. Participam da mostra André Crespo, Clarice Gonçalves, Eduardo Kobra, João César de Melo, Luiza Ritter, Marco Stellato, Paulo Queiróz, Rafael Resaffi e Rodrigo Cunha. A mostra tem curadoria de Sônia Skroski.
De acordo com release recebido pelo Sete Artes: "Artistas novos foram procurados com empenho, indicações, visitas aos ateliers, análise de obras, um verdadeiro garimpo. E desta procura foram selecionados 9 artistas que farão parte da exposição PARAISO. O tema abrange além do que nossa imaginação pode chegar. Os artistas vão expor obras inéditas, criadas especialmente para a mostra. A escolha dos artistas demonstra jovialidade das obras e dos artistas. O tema foi escolhido para proporcionar aos artistas uma performance peculiar e densa dentro do universo de cada um."
Conheça: texto: Assessoria de Imprensa da Galeria André
André Cresp…