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Arteterapia, por chandra santos


 

É uma disciplina do campo da Psicoterapia na qual são empregados recursos das artes com objetivos terapêuticos. Resultado da convergência entre teorias da Psicologia e técnicas e conhecimentos artísticos, a terapia tem como objetivo facilitar a expressão e a comunicação de aspectos internos dos pacientes que não conseguem exprimí-los por meio das palavras. Para isso, não é necessário que eles tenham conhecimento artístico prévio.


Existem dois critérios de arteterapia: o anglo-saxão e os demais. A principal diferença é que o primeiro usa exclusivamente as artes plásticas no tratamento. Enquanto que os demais utilizam todas as formas artísticas (fantoches, dramatizações, dança, literatura e poesia, cerâmica, escultura, música, decorações, desenho e pintura).




O papel social


A arteterapia é importantíssima no contexto histórico e cultural atual, no qual o individuo está cada vez mais só, insatisfeito, sobrecarregado e insensível ao que acontece ao seu redor. Consequentemente, ele busca em psicofármacos a solução para seus problemas emocionais e físicos. Tomado por uma sensação de que é inútil falar porque não há espaço social para ser escutado, o ser humano se tranca em seu mundo pararelo e as consequências sociais desse fato são desastrosas.





Por isso é cada vez mais necessário a arte para comunicar os conteúdos emocionais. A terapia através da arte se desenvolveu, na cultura ocidental, depois das duas guerras mundiais. Ou seja, quando o nível de agressão e destruição de uns seres humanos sobre outros atingiu seu apogeu e quando as palavras não expressavam o nível de destruição e perdas. Essa violência humana pode ser social, política, cultural ou econômica, com efeitos cotidianos e contínuos.

As neurociências já provam cientificamente, através do funcionamento em rede dos sistemas neurovegetativo, endócrino e imunitário, como e porquê a arte cura, conserva a saúde e evita as doenças.  

 









Nise da Silveira

Nise da Silveira: pioneira diversas vezes
No Rio de Janeiro, a psiquiatra Nise da Silveira, umas das primeiras mulheres a se formar em medicina no país, trabalhou no Centro Psiquiátrico Nacional Pedro II, no Engenho de Dentro. 

Era contrária às formas agressivas de tratamento de sua época, tais como o confinamento em hospitais psiquiátricos, eletrochoque, insulinoterapia e lobotomia. Por isso foi transferida para o trabalho com terapia ocupacional, atividade então menosprezada pelos médicos. Em 1946 funda nesta instituição a "Seção de Terapêutica Ocupacional", na qual ela cria ateliês de pintura e modelagem com a intenção de possibilitar aos doentes reatar seus vínculos com a realidade através da expressão criativa, revolucionando a psiquiatria  brasileira.

Em 1952, Nise funda o Museu de Imagens do Inconsciente: um centro de estudo e pesquisa destinado à preservação dos trabalhos produzidos pelos esquizofrênicos durante o tratamento. Quatro anos depois, ela cria a Casa das Palmeiras, uma clínica voltada à reabilitação de antigos pacientes de instituições psiquiátricas. 

Nise também é pioneira na pesquisa das relações emocionais entre pacientes e animais. De acordo com seus estudos, a responsabilidade de cuidar de um animal e o desenvolvimento de laços afetivos contribuem na reabilitação dos doentes mentais.


Van Gogh: um estudo de caso




Auto-retrato sem a orelha, de Van Gogh
As obras do pintor pós-impressionista neerlandês Van Gogh são referência no estudo de arteterapia. O artista teve a vida marcada por fracassos: foi incapaz de constituir família, custear a própria subsistência e manter contatos sociais. Ao longo da vida só conseguiu vender um quadro, O Vinhedo Vermelho, por 400 francos. Aos 37 anos, sucumbiu a epilepsia e cometeu suicídio.

De acordo com pesquisadores, o surto de Van Gogh iniciou quando ele cortou um pedaço de sua orelha direita e deu como presente a uma prostituta. Após o fato, ele retornou para casa e foi dormir - como se nada tivesse acontecido. Encontrado pela polícia, sem sentidos e ensanguentado, foi encaminhado ao hospital no qual permaneceu 14 dias. Ao retornar para casa pintou o Auto-Retrato com a Orelha Cortada.

Jardim do Hospital de Arles, Van Gogh
Um  mês depois começou a apresentar sintomas de paranoia, achando que as pessoas queriam matá-lo. Por isso foi internado no hospital de Arles como paciente e preso. Sua depressão aumentou e ele pediu para ser transferido para o hospital psiquiátrico de Saint-Paul-de-Mausole, perto de Saint-Rémy-de-Provence, na Provença. A região com searas de trigo, vinhas e olivais, seriam a principal fonte de inspiração para seus quadros seguintes.

Noite Estrelada: um dos quadros depressivos de Van Gogh
Realmente, Gogh teve um período de intensa atividade criativa, pintando um quadro por dia. Mas, as crises de epilepsia aumentaram seguidas de sonolência, apatia, alucinações, depressão e violência. Então, o pintor decidiu colocar um ponto final cometendo suicídio com um tiro no peito. De acordo com estudos, eles sobreviveu por dois dias e faleceu nos braços do irmão sussurrando suas últimas palavras: "La tristesse durera toujours" (que em francês significa: "A tristeza durará para sempre").

É registrado também que na família de Van Gogh existiram outros casos de transtorno mental que se transformaram em tragedias. No Instituto Médico para Doentes Mentais, em Utrecht, faleceram seu irmão com "demência paralítica" (após sofrer anos com depressão e ansiedade) e sua irmã que era esquizofrênica. Outro irmão cometeu suicídio aos 33 anos de idade.


O Vinhedo Vermelho: única obra que Van Gogh vendeu em vida

Gogh só foi reconhecido após a exibição das suas telas em Paris, em 1901. Hoje é considerado um dos maiores artistas de todos os tempos. O Museu Van Gogh, em Amsterdã, Holanda, é dedicado aos seus trabalhos.

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Imagem: Reprodução de Internet




Feliz Dia do Amigo

O Sete Artes deseja a todos um Feliz Dia do Amigo!!!!






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