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ATELIÊ DA IMAGEM recebe lançamento de livro no próximo dia 18

Moscouzinho, apelido que a cidade de Jaboatão dos Guararapes ganhou desde a década de 40 quando elegeu o primeiro prefeito comunista do Brasil, volta agora a ser lembrada através de um ensaio fotográfico, assinado porGilvan Barreto sobre a reinvenção de uma Rússia tropical e nordestina. O livro traz ainda textos do jornalista e escritor Xico Sá, do compositor Zeroquatro e do Curador de Fotografia da Pinacoteca de São Paulo Diógenes Moura e será lançado no Rio de Janeiro no dia 18 de janeiro, às 19h na primeira SEXTA LIVRE do Ateliê da Imagem Espaço Cultural, na Avenida Pasteur, 453, Urca. Entrada franca. Durante o evento haverá ainda projeção de imagens e bate papo com o público.

Jaboatão dos Guararapes, em Pernambuco, vinha tentando construir sua história como cidade de nos moldes soviéticos. Nela nasceu o fotógrafo Gilvan Barreto, em 1973. Era filho de militante da esquerda e cresceu entre comícios e reuniões políticas dessa Rússia latina.

Gilvan lembra de suas tardes e noites atrás de palanques, ouvindo palavras fervorosas que o fizeram crer emMoscouzinho. Era final da década de 1970, ditadura militar brasileira e ele aproveitava o teste de som dos comícios para, apesar da pouca idade, denunciar injustiças. Pronunciava trechos apaixonados dos discursos que ouvia de seu pai e colegas sobre a invenção de uma sociedade que tivesse menos fome, mais igualdade social, acesso à saúde e educação.

Mais tarde, quando pensou em escrever um livro homenageando ao mesmo tempo sua cidade e seus pais, Gilvan tenta reconstruir seu país e escolheu trabalhar entre as possibilidades de uma fotografia que deixa aparecer suas texturas e imperfeições. “Uma imagem que transparece os traços da ação humana ao invés da presença da máquina, da tecnologia”, diz.

Recorreu aos antigos álbuns de família. Neles, fotos de seus pais se fundem aos arquivos garimpados no Departamento de Ordem Política e Social (o DOPS, órgão de repressão aos movimentos políticos e sociais contrários ao regime militar). Teceu novas paisagens, onde aparecem trechos de terras cercados de mar - não raro um mar revolto.

Inspirado na poesia e artes gráficas russas produziu fotografias e fotocolagens que representam esse território afetivo. Nos muros dos arredores de onde mora, no bairro da Urca, no Rio de Janeiro, colou cartazes. São novas criações sobre reproduções de cartazes do tempo que seu pai era político. Deixou a chuva e o vento se encarregarem de deixar seus traços. Foi fotografando essa ação.

Foi assim que Gilvan se apossou de seu passado para então reaver o presente.

Ao trilhar essa viagem de volta em busca de Moscouzinho, Gilvan conta que inevitavelmente se viu entre fronteiras. Ele fala de uma certa linha que existe entre um posicionamento político radical e a própria liberdade de pensamento e de expressão. Sobre o que existe entre o isolamento e o desejo de partir, entre existir e querer sumir dos lugares onde nascemos e crescemos. O exercício foi então o de escapar disso que ele explica como sendo “um isolamento.” Ou, ainda, uma linha também contida na sua própria narrativa de vida, onde fatos do passado misturam-se à interpretação deles - ou as inúmeras verdades que se apresentam entre os documentos históricos e as ficções que no emocional se constituem como verdade absoluta.

SERVIÇO:

SEXTA LIVRE- Lançamento de “Moscouzinho”, ensaio fotográfico de Gilvan Barreto e projeção de imagens e bate-papo com o autor.

Ateliê da Imagem Espaço Cultural

Av. Pasteur, 453, Urca.

Dia 18 de janeiro, às 19h.

Texto: Divulgação
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