Obras de Cândido Portinari, Hélio Oiticica e Oscar Niemeyer compõem a mostra “Arte & Política” no Memorial Getúlio Vargas.





O nome de Getúlio Vargas logo nos remete, claro, à política. Presidente do Brasil em dois mandatos distintos imprimiu sua marca na história desse país, sendo considerado ora ditador (1930 a 1945), ora o “pai dos pobres” (1950 – 1954). Mas, para dar a roupagem que queria a seus governos, soube se valer da arte para moldar o Brasil que vislumbrava.

Foi nesse contexto, por exemplo, que a Rádio Nacional, fundada em 1936 e encampada em 1940 por Vargas, passou a ser utilizada para disseminar um modelo de Brasil moderno, que visava a construção de uma identidade nacional alinhada aos ideais do Estado Novo (1937-1945), que exaltava acima de tudo o trabalhador. O rádio, então o veículo de maior alcance entre a população na época, ajudou a propagar os ideais políticos de Vargas e junto com isso, deu fama a nomes como Ary Barroso, Carmem Miranda, Geraldo Pereira, Assis Valente, Luiz Gonzaga e tantos outros.

Por outro lado, artistas que não estavam alinhados à política de Vargas eram perseguidos.  Prova disso é a criação do DIP (Departamento de Imprensa e Propaganda), que orientava e censurava a produção cultural da época. Política e Arte. Arte e Política.

É esse, aliás, o fio condutor da exposição de estreia do Memorial Getúlio Vargas.

Intitulada “Arte & Política: enfrentamentos, combates e resistências”, a exposição estreia dia 14 de maio e traz nomes como Cândido Portinari, Hélio Oiticica, Oscar Niemeyer, Lasar Segall e Rubens Gerchmann.

Como sugere o nome da exposição, o ponto em comum entre os artistas da mostra é a junção de sua arte com o engajamento político, manifestado mais fortemente em uns do que em outros, mas de alguma forma presente no trabalho de todos eles.

A mostra “Arte & Política: enfrentamentos, combates e resistências”, será a primeira exposição do Memorial Getúlio Vargas, inaugurado em agosto de 2004 pela Prefeitura do Rio.
Situado em uma praça histórica do bairro da Glória, o espaço foi projetado pelo arquiteto Henock de Almeida. Descendo ao subterrâneo deste espaço urbano público e adentrando no Memorial, você pode "viajar no tempo" e tornar verdadeira a frase do poeta: "a praça é do povo"!

Com curadoria de Marcus Lontra Costa, a mostra patrocinada pela secretaria municipal de cultura do Rio de Janeiro, desvela as estratégias e tensões da arte moderna e contemporânea diante do conturbado cenário político da história republicana brasileira ao longo do século XX. Reunindo obas de mais de 20 artistas nacionais e internacionais, a mostra “Arte & Política” estrutura-se tendo como marco três décadas distintas: 30, 50 e 70:
Década de 30, o enfrentamento: o movimento modernista no Brasil, iniciado oficialmente com a Semana de Arte Moderna de 1922, trouxe ao país um processo cultural forte e genuinamente brasileiro que permitiu que as gerações futuras rompessem com o academicismo vigente e começassem um trabalho bastante revolucionário para a época. As obras de Di Cavalcanti, Lasar Segall e Cândido Portinari retratam bem esse período em que o Brasil olha pra si mesmo, refletindo em seus traços e cores o Nordeste, as curvas da mulata, o trabalhador rural, o sambista e as mazelas da sociedade, como a miséria. Aqui, é interessante frisar que entre os artistas brasileiros Di Cavalcanti foi o primeiro a adotar uma postura política mais radical. Chegou inclusive a se filiar ao Partido Comunista. Com isso, passou a ser perseguido e ainda nos anos 30, acabou preso por duas vezes. Assim como Di Cavalcanti, Portinari também se filiou ao Partidão. A ditadura estadonovista de Vargas taxava os artistas: perseguia os que não difundiam seus ideais e apoiava os que eram alinhados ao seu governo.

Estou com os que acham que não há arte neutra. Mesmo sem nenhuma intenção do pintor, o quadro indica sempre um sentido social”.
(Cândido Portinari)
Década de 50, o combate: ainda sob influência desse modernismo iniciado anos atrás, a produção cultural no Brasil busca cada vez mais a inserção de sua própria modernidade, com suas próprias características. Getúlio Vargas no poder, não mais como ditador, mas como presidente eleito, faz um governo populista e é aclamado o “pai dos pobres”. É dessa época a campanha até hoje lembrada de “O petróleo é nosso”, que viria, pouco depois, dar margem à criação da Petrobras. Os militares, porém estavam descontentes com Vargas. Os conflitos e tensões aumentaram. Pairava o risco de um golpe militar. Golpe esse que Vargas, ao se suicidar, evitou que acontecesse, naquele momento. Em sua carta-testamento registrou as tensões dos bastidores da política: “Meu sacrifício ficará para sempre em sua alma e meu sangue será o preço do seu resgate. Lutei contra a espoliação do Brasil. Lutei contra a espoliação do povo. Tenho lutado de peito aberto. O ódio, as infâmias, a calúnia não abateram meu ânimo. Eu vos dei a minha vida. Agora vos ofereço a minha morte. Nada receio. Serenamente dou o primeiro passo no caminho da eternidade e saio da vida para entrar na História.” Com isso, os militares tiveram que esperar por mais 10 anos até conseguir concretizar o golpe militar. Em 1956, Juscelino Kubitschek é eleito o novo presidente do Brasil. Junto a Oscar Niemeyer e Lúcio Costa, tornam um sonho em realidade: idealizam e constroem Brasília, a nova capital federal. É a época dos movimentos concretistas, percebidos na arquitetura e nas artes plásticas. É o Brasil otimista, ufanista, que olha para o futuro e para si mesmo. Internacionalmente, o panorama político é marcado pela Guerra Fria, que opõe capitalistas x socialistas. O medo dos comunistas, do chamado “perigo vermelho” se tornará cada vez mais presente.
Urbanismo e arquitetura não acrescentam nada.
Na rua, protestando, é que a gente transforma o país.”
(Oscar Niemeyer)

Década de 70, a resistência: o país vivia sob uma ditadura militar que cerceava direitos e calava as pessoas. A arte, até onde foi possível, foi o canal de denúncia e resistência, fosse na música, no cinema ou nas artes plásticas.  Com o endurecimento da ditadura, após o AI-5 instituído em dezembro de 68, produzir arte em plena ditadura ficou ainda mais difícil. O caminho encontrado por muitos artistas para os dilemas culturais da época foi trilhar um caminho ainda mais radical,  transgressor e marginal. É nesse contexto que se insere, por exemplo, Hélio Oiticica. Com sua obra experimental e inovadora, é considerado por muitos como um dos artistas mais revolucionários de seu tempo. Além de Oiticica, veremos também os trabalhos de Rubens Gerchman, Carlos Sciliar, Antônio Manuel e outros. Em comum, expressões artísticas que desempenham um papel de resistência, sempre com uma temática crítica e de denúncia.
“Seja marginal, seja herói”.
(Hélio Oiticica)

Raridades:

- Desenhos inéditos de Oscar Niemeyer
- Álbum de desenhos que Carlos Scliar fez com retratos de Prestes nos anos 40, e depois nos 90 anos.
- Bandeira original de Hélio Oiticica (Seja marginal seja herói)
- Réplica da mão do memorial da América Latina
- mais de 20 artistas nacionais e internacionais
- Zero Cruzeiro de Cilo Meirelles
- Zero Dollar de Cildo Meirelles

Artistas que farão parte da mostra:
·         Lasar Segall
·         Di Cavalcanti
·         Ernesto de Fiori
·         Cândido Portinari
·         Carlos Scliar
·         Marcelo Grassmann
·         Mário Gruber
·         Cláudio Tozzi
·         Thereza Miranda
·         Glênio Bianchetti
·         Danúbio Gonçalves
·         Antonio Dias
·         Lívio Abramo
·         Rubens Gerchman
·         Hélio Oiticica
·         Carlos Vergara
·         Ana Maria Maiolino
·         Artur Barrio
·         Antônio Manuel
·         Entre outros...

Serviço:
Exposição: “Arte & Política: enfrentamentos, combates e resistências”.
Local: Memorial Getúlio Vargas
Endereço: Praça São Luiz de Camões s/n - Glória
Data: 14 de maio a 01 de julho
Horários: de terça à sábado de 10 às 17h.
Classificação: Livre
Entrada: Gratuita
Mais informações: (21) 2245-7577

Texto: Divulgação - Assessoria de Imprensa

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Seu comentário é bem-vindo! ;)

Observação: somente um membro deste blog pode postar um comentário.

Todos os posts

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

TOP 10

Estudando para concurso? Compre sua apostila aqui!

assine nossa newsletter!

Formulário de contato

Nome

E-mail *

Mensagem *