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Google lança ferramenta para artistas criarem exposições digitais de obras

O Google anunciou nesta terça-feira (10) uma ferramenta on-line gratuita que permite a artistas e galerias de arte organizar e compartilhar com poucos cliques uma coleção digital de suas obras. Chamada Open Gallery, a plataforma usa a mesma tecnologia do Cultural Institute, serviço do Google de visitas virtuais a acervos e exibições artísticas, e pode ser usada em qualquer site. Acesse aqui.

O Open Gallery funciona de maneira simples e bastante visual, como em uma apresentação de "slides", e traz aos usuários as três principais funções do Cultural Institute: a busca, o "zoom" e o "storytelling". Com esses recursos, um artista de rua, um coletivo de fotografias ou até mesmo um desenhista amador consegue em um só lugar reunir todos os seus trabalhos, evidenciar os seus detalhes e até contar histórias, como fazem os museus em suas exposições.

Em entrevista ao G1, o brasileiro Victor Ribeiro, diretor do Google Cultural Institute em Paris, na França, diz que o objetivo do Open Gallery é ajudar o setor cultural a disponibilizar conteúdo na internet com facilidade, flexibilidade e sem custos. "O objetivo é deixar o parceiro confortável para utilizar da forma como preferir", diz Ribeiro.

Todo o conteúdo enviado ao Open Gallery trabalha de forma complementar. Um vídeo pode ser usado ao lado de uma pintura para explicar o seu processo de criação, por exemplo, enquanto um mapa do Street View, ferramenta do Google que mapeia e disponibiliza on-line imagens panorâmicas de locais de todo o mundo, consegue mostrar o antes e depois de uma intervenção artística urbana.

O Open Gallery tem também um recurso de metadados que complementa o aspecto multimídia e é útil para detalhar em texto cada informação de uma obra para que ela seja facilmente encontrada em ferramentas de buscas.

Ribeiro cita um exemplo campeado pela galeria francesa Itinerrance, que testou o Open Gallery com antecedência, para demonstrar o uso do Street View e do "storytelling". Chamado de "La Tour Paris 13", o projeto armazena digitalmente uma intervenção de 100 artistas de rua em um prédio que estava prestes a ser demolido.

"Eles mobilizaram artistas de 'street art' do mundo inteiro e os distribuíram por andares. Pintaram o prédio inteiro com coisas belíssimas e abriram para visitas durante 30 dias. Todo mundo podia tirar foto, e depois o prédio foi demolido. O que resta hoje dessa arte é o digital que foi preservado aqui".

No Open Gallery, o "La Tour Paris 13" mostra fotos de todas as obras produzidas e passeios virtuais pelos corredores do edifício que, agora, não existe mais. Para Ribeiro, o fato de a ferramenta contar histórias ajuda no entendimento das obras e na aproximação dos visitantes das galerias digitais de um passeio pessoal e único. "Você pode ter uma experiência grande no [Museu do] Louvre. Mas quando você está em um ambiente histórico com alguém contando uma história, tudo fica melhor. Vários parceiros do Cultural Institute, como o Instituto Moreira Salles, já estão usando a ferramenta de 'storytelling'".

Dependendo da qualidade das imagens hospedadas no Open Gallery, os visitantes virtuais podem aproximar a imagem em um nível considerável com a função "zoom" e observar cada detalhe de uma fotografia ou pintura.

Na demonstração do recurso ao G1, Ribeiro escolheu o quadro "Saudade", de Almeida Júnior, atualmente alocado na Pinacoteca do Estado de São Paulo e já presente no Cultural Institute. A foto foi feita pelo Google com equipamentos específicos e sofisticados e mostra até a craquelagem da pintura com nitidez, mas é um bom exemplo de como a função "zoom" pode ajudar os artistas e galerias menores a destacar suas obras.

"Você olha essa pintura, muitas vezes até no local, e a cabeça vai estar longe, alta. E aqui você consegue redescobrir a feição dela, as lágrimas, a cara de emoção, os cabelos brancos. Porque quando você olha de longe ela parece uma moça", comenta Ribeiro. Segundo o brasileiro, o Open Gallery surgiu de uma demanda dos próprios parceiros do Google, como a Mandela Foundation, que queriam trazer a tecnologia da ferramenta para dentro dos seus sites. "A ideia é que a tecnologia suma. O foco é o objeto de arte". Assim como os projetos do Cultural Institute, o Open Gallery não tem fins lucrativos e não irá receber anúncios publicitários.

Novas tecnologias
O Google também revelou nesta terça dois equipamentos que irão ajudar na tarefa da empresa de digitalizar acervos artísticos de todo o mundo. A primeira é uma câmera desenhada para aumentar a quantidade de imagens capturadas em alta definição no Cultural Institute. De acordo com Ribeiro, o equipamento mapeia os cantos da pintura e em seguida tira várias outras fotos. Todas as imagens são armazenadas dentro de um computador e posteriormente renderizadas em uma só. A câmera será testada com museus de todo o mundo.

A segunda novidade é um scanner 3D para digitalizar objetos históricos. As imagens produzidas são fiéis às suas contrapartes reais, mas o equipamento ainda encontra dificuldades de concretizar no computador alguns tipos de materiais, como metal e vidro.

Os dois novos aparelhos estarão presentes no Laboratório do Cultural Institute, uma área física do Google em Paris desenhada para a empresa se aproximar do setor cultural e de interessados sobre o tema. "Dentro dela temos uma tela gigantesca e interativa onde você consegue minuciar as pinturas, as esculturas", diz Ribeiro. O espaço tem ainda um ambiente para eventos e palestras. "No fundo, essa é uma área de debate e um convite para discutir tecnologia, arte e cultura. E como a gente pode fazer para mover a agulha e preservar e democratizar o acesso à cultura".

Fonte: G1






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