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A arte de Rodrigo Bittencourt


Ainda na infância Rodrigo Bittencourt descobriu que sucata podia ser transformada em arte. Também pudera. Cresceu dentro da oficina do pai, Lucio Bittencourt, vendo-o transformar porcas, parafusos, pedaços de ferro e aço em esculturas pequeninas ou gigantescas. No começo era tudo brincadeira até que, com o tempo, tornou-se também a sua profissão. No momento, inclusive, uma de suas obas está em exposição junto com outras quatro do pai, na Praça Flávio Furlan, que dá acesso ao Terminal Central.

Trata-se de um cavalo, escultura pela qual ele nutre um carinho especial. Na realidade, ele confessa ser apegado a todas as obras. “Recebi algumas ofertas por esse cavalo, mas ainda não foi suficiente para eu vender”, confessa. A peça em questão levou dois anos para ficar pronta e tem o mesmo tamanho do animal.
Produzir obras como a que ficará em exposição até 15 de março na Praça, é a meta do artista para os próximos anos. Isso porque hoje a sua maior produção está voltada para troféus e artigos decorativos. “Meu pai sempre recebia convites de empresas para fazer troféus, trabalhos em série, mas ele nunca gostou muito dessa área. Então eu direcionei o meu trabalho para esse lado e do designer também que gosto bastante”.
Esse direcionamento diferente foi uma forma também de pai e filho percorrerem seus próprios caminhos, ainda que trabalhem juntos até hoje. De alguns anos para cá, no entanto, Rodrigo também tem sentido vontade de apostar em esculturas monumentais para enfeitar as cidades.
“Gosto muito de fazer esses monumentos e quero trabalhar mais com isso, em paralelo ao que faço mais comercialmente”, aponta ele que não costuma expor as suas peças e nem tem a realização de mostras como uma meta. “Se me chamarem daí eu faço sim, mas não é o foco”.

Temáticas figurativas
Rodrigo não se incomoda se o compararem ao pai. Ele diz que Lucio foi mesmo o seu grande mentor e que o trabalho dos dois é bastante semelhante. É pelos detalhes que as pessoas podem perceber alguma diferença.
Rodrigo gosta de trabalhar com detalhes. É bastante observador e perfeccionista. “Meu pai, quando acha que a obra está pronta, ela está pronta. Eu já me apego mais aos pequenos detalhes”, aponta ele que no momento esculpe um índio, uma de suas temáticas favoritas ao lado de cavalos, dom Quixote e São Francisco de Assis.
“Foram temas que cresci vendo meu pai fazer”, recorda. Ele diz preferir os trabalhos figurativos aos abstratos. “Não que seja mais difícil, mas acho que ainda não estou preparado para o abstrato. Até porque acredito que as pessoas não se identificam tanto”.

A sucata
O aço inox é o “queridinho” entre os materiais disponíveis para a produção de esculturas. No entanto, chega a custar até três vezes mais do que outros artigos como o ferro. “A durabilidade dele é muito superior, por isso é caro. Além do mais, muitas empresas reciclam o material e já não encontramos com tanta facilidade por aí”, revela Rodrigo.
Ele diz que é por conta disso que as esculturas não tem um preço tão acessível. “As pessoas acham que, por se tratar de reciclagem, tem que ser barato. Mas não entendem que a matéria prima é cara. Essa desvalorização é muito chata”, avalia Rodrigo que, por outro lado, diz que o interesse das pessoas em trabalhos como o seu e de seu pai, está justamente no fato de lidar com a reciclagem.
“As pessoas acham interessante ver essa transformação”, aponta ele que não desenha ou faz um protótipo – a não ser no caso de encomenda – antes de começar uma nova peça. “A gente pensa no que vai fazer e daí monta”.

Trabalho comercial
Rodrigo conta que quando o trabalho é em série – no caso de vários troféus, por exemplo - a busca por material pode ser um pouco mais complicada. No entanto, ele encontrou na lâmina de ferro e aço uma forma de ter maior facilidade para moldá-las e deixá-las iguais.
Além de atender empresas em todo o País, Rodrigo também desenvolve peças decorativas por encomenda como painéis e até adega estilizada. Nesse último caso, não se trata exatamente de um local para armazenamento com refrigeração adequada, mas uma forma diferente de exibir as garrafas de bebidas.
No momento, inclusive, a peça mais pedida é a de um emaranhado de rosas. “Toda semana tem encomenda. O pessoal gosta muito”. Um exemplar pode ser conferido pelo público que passar em frente a um restaurante na Rua Ipiranga.

Futuro
Além de investir na produção de monumentos, Rodrigo querdar continuidade ao atual trabalho. Ele não se incomoda com os poréns do meio comercial como prazos de entrega rígidos e a intervenção dos clientes na criação. “Sou muito tranquilo. Se quiserem mudar algo, palpitar não tem problema”. Hoje ele mantém comunicação com o público no www.rodrigobittencourt.com.br/site e na página no facebook onde sempre expõe novidades. (Mariana Nepomuceno)

Fonte: O DIário de Mogi


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