Texto e fotos de Chandra Santos
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| O artista plástico Raimundo Rodriguez em frente ao ateliê da novela |
Depois de fazer a direção de arte das microsséries Hoje é dia de Maria, A Pedra do Reino, Capitu e Alexandre e Outras Heróis (todas da Rede Globo), o artista plástico Raimundo Rodriguez retoma parceria com o diretor Luiz Fernando Carvalho que o convidou para ser diretor do arte na novela Meu Pedacinho de Chão, exibida de segunda à sábado, às 18h, na TV Globo. Com apenas 100 capítulos, a trama (um remake da versão original de 1971) é escrita por Benedito Ruy Barbosa.
É um caso raro ver um artista plástico contratado por uma TV no Brasil para desempenhar essa atividade profissional. Raimundo, que possui a galeria de arte
Caza Arte Contemporânea, também edita o jornal especializado
Página da Caza (que começou com espaço no caderno Artes do Jornal do Commércio, cresceu, e hoje é independente).
No último dia 3 de maio, ele guiou um grupo de artistas e admiradores pela cidade de Santa Fé onde é gravada a novela Meu Pedacinho de Chão. O passeio iniciou no "TVliê" onde são produzidos os figurinos da novela (assinados por Thanara Schönardie) e todos os detalhes das contruções locais, coordenada por ele e seus assistentes diretos: Luisa Gomes Cardoso (do
Canteiro de Alfaces), Deborah Badaue, Sabrina Travençolo, Anderson Dias e Marcos Mariano. Eles, que o acompanham durante anos em diversos trabalhos, dão todo suporte no que é necessário. Outro destaque é César Coelho, criador do anima Mundi, responsável pelos Stops Motions na novela. A implantação da cidade é de responsabilidade de Keller Veiga. Já produção de arte responsabilidade de Marco Cortês.
Raimundo e a equipe ao longo de quatro meses experimentaram ser "engenheiros da arte" construíndo a cidade cenográfica da novela, em uma área de cerca de 7 mil metros quadrados, unido elementos da cultura popular e referências artísticas de correntes como realismo, surrealismo, impressionismo, concretismo e expressionismo. Já com a novela no ar, eles continuam criando, reiventando e adaptando os cenários dessa sensível fábula atemporal.


Dezenas de sobrados, uma espécie de castelo, um celeireiro com feno, uma ponte, um casebre e até uma igreja no alto de um monte são os elementos principais da cidade fictícia de Santa Fé. Para entrar nesse mundo lúdico de forma física é muito fácil: basta pegar o trem em frente ao ateliê de Raimundo Rodriguez, descer na estação e seguir caminhando pelos trilhos. Acredite, o que você vê na TV não chega perto da sensação de estar lá dentro visitando Santa Fé. É tudo tão real, nos mínimos detalhes, feito com o maior zelo possível. Não é apenas um cenário. Há vida ali. A vontade é não sair mais de lá. Principalmente nos tempos em que estamos vivendo.
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| Casa do Coronel Epa |
Lembra muito uma cidade no interior, parada no tempo, que preserva tradições e valoriza a cultura e a arte. Um local onde as flores (um milhão segundo o próprio artista), grama, feno e árvores artificiais se misturam com a mata natural formando uma incrível sinfonia de cores e texturas. Olhando a primeira vista, não se distingue o real da fantasia.
"Não reparem. Aqui nos convivemos com gambás. Outro dia apareceu uma cobra. Eles saem da mata e vem para cá. Tem vezes que voltam sozinhos, outras temos que chamar os bombeiros para retirar os animais e devolve-lôs a mata com segurança", conta Raimundo.
O chão de terra (barro e areia) é cortando por vários trilhos de ferro e dormentes de madeira com direito à cascalho como toda ferrovia deve ter. Em cada ponto da estrada encontramos a casa de um personagem.
Grande parte do material utilizado na construção do cenário é reciclado. Plástico e latas. Muitas. Um trabalho artesanal que faz qualquer pessoa chorar quando chega perto. Cada casa tem sua própria identidade visual. Na casa de Mãe Benta Raimundo foi o responsável pelo altar com diversas imagens religiosas e pela cruz na porta de entrada.
Além disso, os Latifundios (obra criada pelo artista e que vem sido aprimorada desde os anos 2000) estão presentes em diversas construções da cidade. Saiba mais
aqui.
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| Casa de Mãe Benta |
Cada local guarda uma personalidade própria adequada ao personagem ao qual é relacionado. A casa do Coronel Epa é sem dúvida uma construção imponente. Seus jardins enormes deixam qualquer pessoa boquiaberta. Mas, sem dúvida nenhuma, a Igreja é o local mais emocionante. Primeiro, por estar localizada em cima de uma parte mais elevada do terreno onde é possível ver toda a cidade em 360º. Segundo, porque nela há vitrais coloridos e um altar belíssimo em estilo barroco com imagens. Quando entramos nela sentimos a paz que uma igreja deve ter. Santa Fé tem energia. Uma energia boa. Positiva. Que renova qualquer pessoa que põe os pés lá.
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| Sequência de imagens do interior da Igreja |
A novela é sem dúvida uma produção cinematográfica para TV. Pela primeira vez temos uma trama com essa estética e apresentação. Foge do padrão, que toda novela costuma ter. Além disso, a história leve conversa diretamente com todas as classes sociais. Aborda de forma sutil problemas e mazelas sociais brasileiras. Sendo a ignorância como principal. A Professora Juliana e sua escola estão mostrando, sem precisar se impor, que a educação é a solução para todos os conflitos. Como se não estivesse de bom tamanho, a novela anda resgata valores que se perderam na sociedade, como família, amor, amizade, lealdade, sinceridade, honestidade, honra. A novela inclusive dialoga através de arquétipos, como mãe, pai, filho.
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| A Escola da Professora Juliana |
Na estreia da novela li na mídia diversas críticas e ouvi comentários de pessoas próximas espantadas com a novela. Foi um choque momentâneo. Elas não entendiam o que estava acontecendo. Estamos, infelizmente, tão acostumados a ver como temas violência, morte, sexo, traição e consumo de drogas lícitas nos produtos culturais que esquecemos que isso não é o padrão ético sobre o qual a sociedade foi construída.
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| O artista plástico Raimundo Rodriguez segue em direção a Santa Fé |
Meu Pedacinho de Chão é um portal para o universo dos sonhos das crianças e - principalmente - dos adultos (cansados de viver nesse modelo social e nesse mundo injusto). Uma vez que adentramos nunca mais Santa Fé e seus ensinamentos saem de nossas mentes e corações.
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Texto e fotos de Chandra Santos/Assessora de Imprensa do artista Raimundo Rodriguez